
I. A Fera Desperta
Ela vem sem convite, como uma enxurrada elétrica,
Enrola-se nas veias qual sangue numa febre tóxica.
A serpente acorda do seu próprio torpor,
Minha língua torna-se chamas, o peito apertado se comprime,
Cada músculo se retesa, pronto para a batalha…
Mas onde está a ameaça? Onde que a luz brilha?
II. A Ilusão
Veja como a ilusão se forma majesticamente:
Uma palavra num tom diference, um olhar enviesado, um atraso inesperado,
Viram monstros no meio do caminho.
O inimigo que tu pensas enxergar
É somente a tua própria fragilidade,
Vestida de sombras e nutrida pelo instinto bestial…
III. O Pós-Guerra
Agora o silêncio paira como fumaça ácida,
Onde havia amor, brotam fendas perfurantes.
Os escombros se espalham, cortantes e cruéis,
Cada estilhaço reflete a realidade: eu fui o tolo.
Quão fundo é esse abismo onde me afogo.
Sem fundo algum, apenas o pesado som da queda…
IV. A Alquimia
Ah, mas essa ira que arde tão viva
Agora é relâmpago congelado, luz solar aprisionada!
Sob as cinzas, ainda existem brasas acesas,
Não para destruir, mas é possível conhecer
Esse vazio que temes encarar?
É ali que podemos erguer o espaço sagrado.
V. O Retorno
A serpente agora se desenrola, em descanso,
Não mais como uma lâmina cravada no meu peito,
Mas sim um fio dourado da terra ao céu.
E esse poder que um dia me fez chorar
Agora me eleva onde as águias voam…
E então sorrio: “Essa era a razão de toda aquela Ira.”
Acharya Tadany
Meditação Poética.
Pune, 06 de abril de 2025.
Pós-Meditação
Essa ira nunca foi minha inimiga,
Mas a guardiã que esqueceu de fazer seu pedido:
Amar a criança por trás da tempestade,
Proteger o frágil, aquecê-lo com cuidado.
Desde então, toda a sombra tem seu dia,
Não para se ocultar, mas para iluminar o caminho.
Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.

Beleza de alerta, querido. Mas para chegar a essa compreensão temos uma longa caminhada. Mas estás a mostrar que é possível e é certo. Gratidão! 🙏