terça-feira , 3 fevereiro 2026
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A felicidade que ignoramos todas as manhãs.

Algo que está perfeitamente satisfeito.
Perfeitamente completo.
Perfeitamente em paz.


Todas as noites, a vida nos oferece uma gratuita prévia da plenitude essencial humana.

E ela acontece não por esforço.
Não por conquista.
Não por se tornar algo novo.

Ela ocorre simplesmente ao dormirmos.

Pois quando acordamos, você diz:
“Dormi profundamente…
Nada passou pela minha cognição…
Não senti falta de nada…
Não me preocupei com nada…
Foi uma paz continua,”

Assim, quando a gente professa “não senti falta de nada”, isto não é apenas um mero descanso.

Ela é uma descrição de plenitude essencial.
É uma forma de completa felicidade.
Ambas ausentes de autoconhecimento, vale ressaltar.

Ou seja, no sono profundo, tudo aquilo ao que a gente normalmente se agarra, ou se prende, ou se torna dependente, é suavemente retirado de nossa compreensão.

Isto significa que…
O corpo é deixado de lado.
A mente é deixada de lado.
O ego é deixado de lado.
O mundo inteiro é deixado de lado.

Mesmo assim, algo permanece.

Algo que está perfeitamente satisfeito.
Perfeitamente completo.
Perfeitamente em paz.

Esse “algo”, não nasce da ausência de objetos, circunstâncias ou pessoas, pois, em realidade, ele se revela quando os objetos e as situações deixam de nos distrair.

Esse “algo” é um breve mergulho em nossas verdadeiras naturezas,
Ele é a totalidade brilhando em seu estado nativo,
Sem esforço, sem exigência e, principalmente, sem nada faltando.

Mesmo assim, neste cativante momento, é imperativo pensar qual é a silenciosa tragédia de nossas vidas humanas?

É o fato de que, quando acordamos, imediatamente pensamos:
“Preciso verificar minhas mensagens,
Necessito ver quem gostou de minhas postagens.
Preciso levantar e fazer alguma coisa, qualquer coisa.
Ou seja, necessitamos validar nossas sensações de sermos incompletos.”

Em outras palavras, todas as noites saboreamos o néctar da liberdade e da plenitude.

No entanto, apenas tratamos estas profundos e reveladores momentos como uma simples estação de recarga. Uma recarga para sobreviver pelas próximas 16 horas de auto impostas inquietações e preocupações.

Então, hoje à noite, quando você for dormir, não apenas “apague”.

Testemunhe a reveladora dissolução que está acontecendo.

E, quando acordar,
Antes do celular,
Antes das repetitivas histórias,
Antes da pressa,

Permaneça por trinta segundos nesse brilho silencioso e pergunte:

“Quem estava tão perfeitamente feliz sem um único objeto, pessoa ou circunstância?”

E lembre-se que esse “Quem” já é livre, pleno e alegre.
A tragédia acontece porque nós apenas ignoramos, ou esquecemos, essa revelação todas as manhãs.

Portanto, não desperdice a prévia de tua própria plenitude. Abrace-a com carinho, ardor e intensidade. Porque um dia, quando você aprender sobre a tua própria natureza (atma-jñānam), a prévia se tornará um recurso permanente.

Enquanto isto, quando acordares, aprecie a magia de cada novo amanhecer.

Acharya Tadany
Meditação Matutina.
Pune, 25 de janeiro de 2025.

(Todas as noites e manhãs, desde sempre.)

Photo by Zac Durant on Unsplash

One comment

  1. Se Ligar em Deus
    Abraçar a Felicidade Todas as manhãs, e não largar mais.

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