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Tecnologia e Espiritualidade: O Limite das Máquinas e o Desafio Humano

Por Acharya Tadany Cargnin dos Santos
Publicado no Diário de Santa Maria, 12 de fevereiro de 2026

Vivemos uma Revolução Sem Precedentes

Nunca, em toda a história da humanidade, o conhecimento esteve tão acessível. O que antes exigia anos de estudo, longas viagens e enorme esforço, hoje está a poucos cliques de distância. Vivemos uma era em que a informação circula mais rápido do que o próprio pensamento.

Por exemplo, muito embora o planeta Terra seja apenas um pequeno ponto em um imenso universo, até pouco tempo atrás, ele ainda parecia gigante. Hoje, porém, esse mundo encolhe a cada dia, pois existem aviões de caça com velocidade superiores a Mach 2, trens bala passando dos 400km/h, comunicação audiovisual instantânea e pesquisas espaciais revelando distâncias nunca antes imagináveis.

Máquinas Cada Vez Mais Inteligentes

A tecnologia não apenas acelerou a comunicação, ela acelerou principalmente o acesso a inteligência externa. A Inteligência Artificial já é capaz de absorver, organizar e cruzar volumes gigantescos de conhecimento em segundos, enquanto a IA generativa não só armazena informações, mas cria, sintetiza e apresenta ideias de forma surpreendentemente semelhante ao raciocínio humano.

Ao mesmo tempo, a computação quântica começa a abrir caminhos antes impensáveis. Problemas que levariam milhares de anos para serem resolvidos por computadores tradicionais poderão ser resolvidos num curto espaço de tempo. Ou seja, a tecnologia passou a operar em níveis que desafiam nossa lógica comum.

O Grande Paradoxo da Nossa Era

Diante de tudo isso, surge uma pergunta inevitável: se conseguimos acelerar tudo fora de nós, por que continuamos internamente tão lentos?

Apesar de todo o avanço tecnológico, o ser humano segue preso aos mesmos conflitos, medos, inseguranças e sofrimentos de séculos atrás. Ainda acreditamos que a maturidade, a sabedoria e o equilíbrio emocional só chegam depois de muita dor e repetição.

Mas então por quê? Por que não educamos a mente humana com a mesma eficiência com que treinamos máquinas?

Informação Não é Sabedoria

Aqui está um ponto fundamental. Ter acesso à informação não significa ter consciência ou maturidade espiritual. A Inteligência Artificial pode simular inteligência, mas não desenvolve sapiência interior. Computadores quânticos podem calcular infinitas possibilidades, mas não escolhem valores, nem discernem o que é correto, verdadeiro ou essencial.

Somente o ser humano pode entender o conhecimento que liberta, assim como unir tecnologia e ética, velocidade e responsabilidade.

O Próximo Passo da Evolução

Acredito que verdadeiro salto evolutivo da humanidade não será tecnológico, será interior. Ele passa pelo desenvolvimento de habilidades internas como atenção, discernimento, silêncio, paz, amor, autoconhecimento e responsabilidade.

Sem isso, corremos o risco de criar máquinas cada vez mais sofisticadas e seres humanos cada vez mais confusos, ansiosos e desconectados de si mesmos.

A Última Fronteira

A aceleração das ferramentas já aconteceu. A aceleração da inteligência está em curso. Mas a aceleração da sabedoria continua sendo o maior desafio do nosso tempo.

O futuro da humanidade não será decidido pelo quanto as máquinas evoluem, mas pelo quanto nós evoluímos ao aprender a usá-las com consciência, equilíbrio e humanidade, enquanto nos tornamos mais sábios, livres e generosos.

Photo by Drew Beamer on Unsplash

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