
Hoje, por meio do meu querido amigo, Prof. Rudimar Rocha, recebi a dolorosa notícia da partida física do Professor Julio Colvero, o nosso tão querido Julião.
O Prof. Julião, juntamente com os professores Carlinhos e Lemos, formatou as minhas bases acadêmicas, profissionais e, acima de tudo, as minhas visões de mundo.
Tive a honra de conhecê-lo quando me tornei representante dos alunos no Conselho da Faculdade.
Dali nasceu uma admiração imensurável pelo seu caráter, sua força indomável, sua determinação e sua luta incansável pelo cooperativismo, pela qualidade do ensino, pelo desenvolvimento dos estudantes, pela correta alocação dos recursos públicos e pelo avanço cívico, moral e econômico da sociedade.
Em nossas infindas interações, ele me orientou com maestria a navegar no complexo ambiente político do Conselho da Faculdade de Administração e nas dinâmicas de reuniões e votações do DCE, visto que eu atuava tanto como Representante dos Alunos no Conselho da Faculdade, quanto Vice-Presidente do Diretório Acadêmico da Administração.
Em nossas conversas mais profundas ouvi, e também chorei, ao escutar seus relatos de perseguição, prisão e tortura sofridas durante os anos de ditadura militar e as consequências que ainda sentia muitos anos depois.
Em nossas conversas mais profundas ouvi, e também chorei, ao escutar seus relatos de perseguição, prisão e tortura sofridas durante os anos de ditadura militar e as consequências que ainda sentia muitos anos depois.
Lembro-me vividamente do fato de alguém ter passado por situações tão horrendas e, ainda assim, preservar intactas a sua convicção, a sua dignidade e o desejo genuíno de impactar a sociedade de maneira justa, ética e humana.
O Prof. Julião, para mim e tantos outros, foi a prova viva de que as circunstâncias externas, por mais violentas que sejam, são incapazes de corromper a soberania de uma consciência voltada ao bem comum, ou seja, ele não nos ensinou apenas teorias, ele nos estendeu o espelho da retidão, da convicção e da coragem em meio às tempestades institucionais e humanas.
Estimado Prof. Julião, onde quer sua alma esteja neste momento, saiba que as grandes almas nunca deixam um vácuo, elas se transformam em faróis permanentes na vida daqueles que tiveram o privilégio de caminhar sob sua luz.
Que sua terna, corajosa e iluminada alma siga em sua ascendente jornada cósmica, livre e recolhida na plenitude do Ser.
Obrigado por ter sido solo firme para os meus primeiros passos acadêmicos e profissionais.
Com profunda gratidão e reverência,
Acharya Tadany
Foto: Arquivo/SEDUFSM.
