
Além disso, é imperativo entender que a imaturidade está profundamente conectada a um senso exagerado de moralização.
Numa sociedade emocionalmente infantil, admitir um erro torna-se quase impossível, pois um erro deixa de ser um equívoco circunstancial e passa a ser percebido como uma ameaça à identidade.
E assim, ao invés de ser analisado com lucidez, ele é moralizado, dramatizado e transformado em culpa, ataques ou vergonha.
Como consequência, surge um movimento defensivo: justificativas frágeis, narrativas distorcidas, transferência de responsabilidades e, inevitavelmente, novos erros cometidos apenas para sustentar o primeiro.
Esse ciclo é perigoso porque desloca o foco da verdade para a autopreservação psicológica e, assim, o que está em jogo já não é mais o fato em si, mas a necessidade infantil de “estar certo”.
Então, a energia que poderia ser usada para corrigir e evoluir passa a ser usada para defender uma imagem, uma ideia, ou um ato.
Por outro lado, uma pessoa emocionalmente madura e, por extensão, uma sociedade madura, compreende que errar é parte natural do processo evolutivo humano.
Não há dramatização excessiva, nem necessidade de autopunição ou de ataque ao outro.
O que existe é reconhecimento do erro, ajuste para evitar sua reprodução e continuidade da jornada.
Desta maneira, admitir o erro torna-se um ato de força interior, não de fraqueza e, consequentemente, vira-se a página porque o compromisso é com o aprendizado e a maturidade, não com a vaidade.
Além disso, é imperativo entender que a imaturidade está profundamente conectada a um senso exagerado de moralização. Tudo se torna uma questão de certo versus errado em termos absolutos, como se reconhecer um equívoco implicasse perda de valor pessoal.
E o grande risco deste fenômeno é que esse moralismo rígido impede a reflexão serena, pois ele transforma falhas em pecados capitais e desacordos em batalhas.
No entanto, a maturidade desloca o eixo da moralização para a responsabilidade, isto é, não se trata de condenar, mas de compreender, não se trata de rotular, mas de corrigir.
Em outras palavras, onde existe maturidade emocional, há espaço para revisão, diálogo, mudanças e crescimento. Porém, onde há infantilidade emocional, há defesa, polarização, culpabilidade e repetição (perpetuação) de erros.
E, no final das contas, a diferença central entre estes dois “modus vivendis” está na relação com a verdade e a evolução:
O imaturo protege o ego, a vaidade, a imagem.
O maduro nutre a lucidez, a verdade, o aprimoramento.
Acharya Tadany
Meditação Matutina
Pune, 21 Fevereiro de 2026.
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Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.
