quinta-feira , 22 janeiro 2026
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A Saga de João

Ele era um compatriota do caminho, caroneiro do destino, sempre pronto para embarcar numa nova aventura, numa nova atividade e numa nova idéia para saciar o insaturável desejo de renascer a cada instante de mãos dadas com o original, o desconhecido e o recente.

João disse que sua vida tinha sido uma revolução de sonhos que invadiam a mente, alimentavam o espírito e se materializavam enquanto ele vagava livremente de um lado para o outro.

Ele era um compatriota do caminho, caroneiro do destino, sempre pronto para embarcar numa nova aventura, numa nova atividade e numa nova idéia para saciar o insaturável desejo de renascer a cada instante de mãos dadas com o original, o desconhecido e o recente.

João seguiu sua trilha alegre, exuberante e satisfeito. A vida era plena, regozijadora e paradisíaca. Então, um dia ele decidiu embarcar na mais augusta de todas as fortunas, mas daquele dia em diante, lembrava tristemente João, o céu havia se nublado, os sonhos haviam começado a minguar e a inércia tinha começado a assolar todo o seu ser até que, desesperado, ele procurou entender o porquê daquele infortúnio.

Assim, percebeu que a aventura que era para ser libertadora, o tinha escravizado, o que era para ser motivador, o tinha sugado, o que era para ser auxiliador, o tinha limitado, o que era para ser conscientização, o tinha julgado, o que era para ser amor, tinha se transformado em posse, o que era para ser luz, tinha virado escuridão, o que era para ser mútuo, havia se tornado egoísta, o que era para ser uma panaceia, transformara-se num mal e o que era para ser vivificador, o tinha matado.

Tal desgraçada infortuna teve sua gênese no dia do seu casamento.

Tudo isso aconteceu porque a companheira, a mulher, a alma que ele havia escolhido para complementá-lo, tinha desvirtuado todos os preceitos de apoio mútuo que deviam prevalecer entre um casal e, como resultado, se tornou uma ladra, uma usurpadora e uma algoz das virtudes, das vontades e dos sonhos de João.

Então, João que era todo alegria se tornou tristeza, que era completamente amor se tornou rancor, que era intensa luz, se tornou crepúsculo, que era simplesmente João, se tornou ninguém e, ao se tornar ninguém, nem mesmo João sabia o que era e, por não saber o que era, deixou de ser tudo o que um dia tinha sido, inclusive e simplesmente, João.

PS: Esta, também, poderia ter sido a história de Maria.

Acharya Tadany
Meditação Imaginativa
Pune, 19 de Dezembro de 2006.

Photo by Yuvraj Singh on Unsplash

One comment

  1. Pior q Ser escravo dos Sistemas, é sermos escravos de Nós mesmos.

    Devemos Aprender a Viver neste Mundo e não nos Tornamos deste Mundo.

    Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal. (João 17:15)

    Continuemos na Dependência em Obediência ao nosso Bom Deus.

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