quarta-feira , 14 janeiro 2026
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Manifesto Satírico da Grande Festa Política.

Pois a cada esquina do salão encontramos um representante do povo que, ao ritmo desafinado de suas próprias promessas, acredita dançar um tango revolucionário quando, na verdade, apenas tropeça nos próprios cadarços.

(para ser lido em voz alta, de preferência com uma taça imaginária na mão)

Senhoras, senhores e demais sobreviventes deste baile interminável:

Proclamamos aqui, com toda a sobriedade possível numa noite como esta, que a Política, essa entidade sagrada, profanada e convenientemente incoerente, não passa de uma festa onde todos chegaram atrasados, mal instruídos e já meio bêbados de si mesmos.

Sim, celebremos!

Pois a cada esquina do salão encontramos um representante do povo que, ao ritmo desafinado de suas próprias promessas, acredita dançar um tango revolucionário quando, na verdade, apenas tropeça nos próprios cadarços.

Então, gostaria de compartilhar alguns princípios deste manifesto.

Primeiro Princípio.
Todo político é o rei (rainha) da festa, pelo menos na sua própria cabeça.
Coroados pela divina ilusão de poder,
Nossos dançarinos oficiais acreditam que seus passos tortos são movimentos coreográficos de impacto histórico.
Aplausos para eles!
A plateia imaginária agradece.

Segundo princípio:
A música do bem comum toca, mas ninguém escuta.
Uns preferem o ritmo frenético do ego,
Outros dançam conforme a marcha militar do partido,
Há quem reme contra o vento,
Contra o Estado
A até contra a Física.
Mas a música continua,
Coitada, tentando manter o compasso da razão enquanto o salão inteiro gira numa valsa de incoerências.

Terceiro princípio:
Quem está sóbrio não entende nada e é expulso da festa.
Porque lucidez, nessa celebração, é vista como antipatia,
Capacidade crítica é tratada como mau humor
E qualquer tentativa de arrumar as cadeiras é imediatamente abafada por discursos inflamados sobre esperança, progresso, família e outras bebidas fortes.

Quarto e último princípio:
A festa nunca termina, pois ninguém quer acender a luz.
O interruptor está ali na parede,
Brilhante, acessível e democrático.
Mas quem ousaria revelar o caos,
O carpete manchado,
O lixo escondido embaixo da mesa
E os convidados desmaiados sobre a Constituição?

Melhor manter a penumbra, pois nela todos parecem mais bonitos, mais sábios e mais úteis.

E assim, proclamamos:
Viva a política-festa!
Viva seus reis de papel machê!
Viva suas rainhas de purpurina orçamentária!
Viva cada discurso que não diz nada
E viva cada passo que não leva a lugar nenhum!

E que jamais falte o álcool metafórico que alimenta a grande ilusão coletiva de que tudo está indo muito bem, obrigado.

Assinam:
Os poucos sóbrios,
Os muitos tontos,
E os que preferem ficar perto da porta de saída
Caso a luz se acenda.
A música mude.
E a bagunça, finalmente, seja visível.


Pune, 14 de novembro de 2025.

Photo by Pablo Heimplatz on Unsplash

Photo by Danny Howe on Unsplash

One comment

  1. Muito bem colocada essa visão da política em forma de satírica. Mas é de chorar constatar que é verdadeira. 🥲

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