quinta-feira , 26 fevereiro 2026
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Menos ansiedade, mais produtividade. Uma filosofia milenar para o mundo moderno.

Por Acharya Tadany Cargnin dos Santos
Publicado no Diário de Santa Maria, 26 de fevereiro de 2026

A mensagem central é precisa e pragmática: a ansiedade, ou a tensão, não nasce da ação em si, mas da dependência emocional que alocamos aos resultados

Em uma era obcecada por produtividade, métricas de desempenho e pressões constantes, a ansiedade tornou-se normalizada, o estresse é usado como símbolo de importância e o esgotamento emocional é tratado como inevitável. No entanto, há séculos, a Bhagavad Gītā apresentou uma estrutura psicológica que dialoga diretamente com essa condição moderna sem exigir a renúncia à ambição, à responsabilidade ou à ação.

A mensagem central é precisa e pragmática: a ansiedade, ou a tensão, não nasce da ação em si, mas da dependência emocional que alocamos aos resultados, ou seja, é importante entender que, em qualquer momento, controlamos 100% do esforço, mas não controlamos os resultados.

Esta premissa é crucial porque grande parte da agitação mental surge da projeção constante no futuro, imaginando os sucessos, temendo os fracassos, ou tentando antecipar os desfechos. Consequentemente, mesmo no momento da ação, a mente se “dispersa” por infindos cenários que ainda não existem, enquanto que o corpo reage como se esses cenários fossem reais.

Com base nisso, Acharya Tadany propõe um ajuste radical, isto é, agir com total empenho, mas abandonar a dependência psicológica do resultado. Isso não significa passividade, mas sim uma disciplina interior, pois quando o apego aos resultados diminui, a ansiedade também diminui e, com o tempo, isso se transforma numa imutável serenidade e um inquebrantável foco. Em outras palavras, as ações proativamente continuam, mas os atritos internos desaparecem.

Além disso, é válido lembrar que os profissionais modernos sofrem do que chamo de “vazamento para o futuro”, isto significa que, enquanto executam uma tarefa, as pessoas “desperdiçam” tempo imaginando reconhecimentos, aprovações, ganhos ou perdas e, nestas realidades, a atenção se fragmenta.

Por outro lado, quando a ação é realizada como pleno dever e máximo contribuição, mas não como busca de validação exterior, o foco se intensifica e a produtividade melhora não pela pressão, mas pela clareza de objetivos.

Esta metodologia, no curto prazo, gera maior concentração e convergência de esforços, enquanto que, no longo prazo, produz uma sustentável excelência.

Além disso, é crucial entender que mesmo dentro das organizações, vivemos numa cultura de extremos emocionais como indignação, euforia, desespero, motivação, isolamentos ou julgamentos.

Nestes momentos, Acharya Tadany sugere a equanimidade tanto diante de elogios, quanto críticas, tanto ganhos, quanto perdas, lucros ou prejuízos. Com isto quero dizer que, equanimidade, não é indiferença, mas sim a regulação emocional fundamentada na compreensão de que o mundo é repleto de pares opostos.

Consequentemente, essa lúcida atitude permite que você enfrente as adversidades sem colapsos, assim como os sucessos sem arrogâncias. Depois, como o passar do tempo, você desenvolve uma mente sólida e direcionada que não é sequestrada pelas distintas e opostas circunstâncias do cotidiano.

Por fim, Acharya Tadany sugere equilíbrio nas ações, porque o contexto atual glorifica intensidade, mas ignora os ritmos individuais e coletivos, gerando constantes ciclos de excessos e exaustões.

Desta maneira, quando a ação é livre de ansiedades, projeções internas e aflições emocionais, grande parte da energia vital e individual é preservada e, como resultado, o trabalho torna-se focado, eficiente e produtivo, mas nunca drenante ou desgastante, tornando a contribuição frequente, e não episódica e flutuante.

Em resumo, o ensinamento é incontestável, é possível agir intensamente, com responsabilidade e eficácia, mesmo permanecendo internamente sereno e tranquilo.

“A paz não é uma recompensa após o sucesso, ela é o fundamento essencial da ação proativa, eficiente e contribuinte.”

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