Acharya Tadany

Ontem, participei da abertura do Asia Economic Dialogue em Pune, uma cúpula de alto nível organizada pelo Pune International Center em parceria com o Governo da Índia.
O ambiente era de profunda reflexão estratégica, em um momento em que o mundo se encontra em uma encruzilhada histórica.
Abaixo, compartilho alguns dos principais insights compartilhados por especialistas globais durante o evento. Estas reflexões refletem um mundo em profunda transição, distanciando-se do otimismo da “Aldeia Global” que definiu os anos 90 em direção a uma realidade muito mais fragmentada, complexa e intensamente pragmática.
1. A Estrutura de Poder em Três Camadas
O mundo não é mais um “mapa” único. Ele opera em três níveis distintos:
• Geopolítica (Bipolar): Em termos de influência pura, EUA e China são os dois sóis. Os países são forçados a navegar pela gravidade de ambos.
• Geoeconomia (Multipolar): O comércio é descentralizado. Índia, União Europeia, BRICS, ASEAN e o CCG criaram um mundo onde o poder econômico não tem um único dono.
• Geomilitar (Unipolar): Os EUA ainda mantêm uma superioridade tecnológica e naval sem rivais em alcance global.
• O Paradoxo da Governança: Nota-se que regimes autoritários avançam rápido em infraestrutura por não terem a “fricção” do consenso, enquanto as democracias lutam com a lentidão dos processos de debate e revisão.
2. O Grande “Desajuste”
Vivemos uma “Atualização de Software” do sistema global. As velhas regras (OMC, Nações Unidas, tratados pós-guerra) estão sendo ignoradas.
• Imprevisibilidade: Sem regras claras, as expectativas desaparecem, gerando desconforto. Saímos de um mundo governado por leis para um mundo de acordos.
3. A Nova Santíssima Trindade Econômica
• Resiliência sobre Eficiência: No passado, buscávamos o mais barato. Agora, buscamos o garantido.
• Risco: Deixou de ser apenas financeiro para ser existencial (clima, guerra, ciberespaço).
• Renda Per Capita: É a métrica real. O crescimento só vale se chegar ao bolso do cidadão.
4. Território vs. Lucros
No século XX, o poder era o Território. No século XXI, o poder é a fatia do Lucro Global que você captura.
Um país pequeno (como Taiwan com chips) pode ser mais poderoso que uma grande massa de terra se dominar um nicho de alta margem.
5. A China: Uma Negociadora Sensata e Sábia
Há uma percepção crescente de que a China atua com sabedoria e sensatez ímpares ao negociar com outras nações. Ela não é vista apenas como um fornecedor, mas como uma parceira estratégica que compreende profundamente as engrenagens do poder global.
• Potência de Ecossistemas: A sabedoria chinesa reflete-se no fato de que eles não fabricam apenas produtos; eles são donos do “encanamento” da manufatura global (as máquinas que criam as máquinas).
• Negociação Pragmática: Os países percebem que a China negocia a partir de uma posição de força e inteligência, dominando ecossistemas inteiros. Para qualquer nação, agir com sensatez significa reconhecer essa maestria chinesa e aprender a negociar dentro deste ecossistema, em vez de tentar inutilmente contorná-lo.
6. Capital vs. Trabalho na Fábrica do Futuro
Entramos na era da “Manufatura sem Empregos”. Se robôs são mais baratos que pessoas, o modelo de desenvolvimento “intensivo em mão de obra” pode ter acabado.
O desafio para Índia e Brasil é como empregar milhões se as fábricas do futuro precisam apenas de alguns técnicos.
7. “Make for India”
Uma mudança de mentalidade: em vez de ser a “Fábrica do Mundo – Feito pela Índia”, a Índia percebe que seus 1,4 bilhão de habitantes são o maior mercado da Terra.
Atender o consumo interno gera escala para ser competitivo globalmente. O próximo desafio é melhorar a qualidade dos produtos.
8. A Remodelagem Educacional
O prazo de validade do conhecimento encolheu. A educação deve focar em:
• Adaptabilidade: Aprender a desaprender e reaprender.
• Síntese: Unir tecnologia com artes humanas (empatia, ética, filosofia).
9. Estar “Na Sala”
A lógica do “Pequeno, mas Grande”: você deve ser um Formador de Regras (Rule-Maker).
Estar à mesa quando se definem padrões de IA e impostos de carbono.
Se você não está à mesa, você está no menu.
10. A Armadilha do Comitê
Em muitos países, a inovação é sufocada pelo “Comitê para tudo”.
A burocracia é o sistema imunológico do Estado; se for forte demais, mata as células saudáveis da inovação.
Precisamos de Agilidade Regulatória.
11. Inteligência Artificial: Biologia é a Nova Química
A farmacêutica está mudando. A IA permite tratar a Biologia como Código.
Estamos passando da mistura de moléculas para a reprogramação de células.
As grandes curas virão do dobramento de proteínas e edição genética via IA.
Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.

Buenas Tadany. Somente em simpósios, q nem este, q participaste, é q podemos ter uma maior visão das mudanças mundanas q estamos vivenciando no dia a dia.
As mudanças estão muito rápidas q ficam distantes do nosso dia a dia.
Gracias por passar esta visão para nós. Grande abr