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Um Passeio Pelo Amor

Caminhar pela senda do amor é mais do que se permitir sentir: é permitir se transformar. Amar é uma jornada que revela, expande e desnuda nossas profundezas.

Por Acharya Tadany Cargnin dos Santos.

Publicado no Diário de Santa Maria, 18 de dezembro de 2025.

O amor acompanha a humanidade desde seus primeiros passos, mas, apesar de universal, ele não se manifesta da mesma forma em todos nós. Cada ser carrega uma maneira própria de sentir, expressar e oferecer amor ao mundo. Em cada indivíduo, o amor revela uma face singular, marcada por nuances que jamais se repetem. É como se cada coração possuísse uma gramática afetiva única, conjugando à sua maneira a grande linguagem universal do afeto.

Essa pluralidade transforma o amor em um vasto conjunto de linguagens: algumas suaves como um sussurro, outras intensas como um grito da alma. Algumas silenciosas e discretas, outras exuberantes e transbordantes. Todas, porém, pintam um panorama sensível e dinâmico, um mosaico de almas que se entrelaçam, oferecendo ao mundo sua própria versão do amar. E é essa diversidade que torna o amor tão profundamente humano e tão infinitamente belo.

Caminhar pela senda do amor é mais do que se permitir sentir: é permitir se transformar. Amar é uma jornada que revela, expande e desnuda nossas profundezas. É navegar por oceanos de inquietudes, desejos, memórias e expectativas. É voar por céus povoados de lembranças queridas, esperanças secretas e, sobretudo, pelas aparentes contradições que habitam a alma humana.

Essas contradições, muitas vezes confundidas com fragilidades, são na verdade portas sagradas para nossa verdade interior. São elas que revelam nossas camadas mais autênticas, sensíveis e cuidadosamente guardadas. No amor, não há lugar para máscaras, pois quem ama se encontra com a própria essência.

Por isso, amar torna-se também um caminho de autoconhecimento. Ao amar, despimo-nos das defesas que criamos ao longo do tempo, assim como ao ser amados, contemplamos nossa própria imagem refletida no olhar generoso e acolhedor do outro. Portanto, o amor nos desperta do automatismo, devolve-nos à presença e nos convida a viver com mais profundidade e consciência.

O amor é ponte, espelho e caminho. Às vezes aparece como um encontro luminoso, outras vezes, como renúncia silenciosa. Mas, em qualquer de suas formas, sempre representa uma oportunidade de expansão interior, visto que ele amplia nossa visão, suaviza nossos limites e nos reconecta com aquilo que há de mais humano e divino em nós.

Por isso, amar verdadeiramente é também um ato espiritual. Ao reconhecer a beleza do outro, reconhecemos a sacralidade da vida. E ao oferecer o nosso melhor ao outro, mesmo que seja apenas um gesto de ternura ou presença, tocamos o que há de mais elevado em nós mesmos.

Desta maneira, um passeio pelo amor não é apenas uma travessia de sentimentos, mas um retorno ao essencial. É um convite à entrega, à escuta, à compaixão e à presença profunda diante da vastidão que somos e da vastidão que o outro também é.

Amar é permitir-se viver na fronteira sutil entre o visível e o invisível, entre o que sentimos e o que nos transformamos ao sentir, pois o amor, quando vivido com verdade, torna-se um caminho de revelação, uma jornada que, como toda jornada espiritual, nos conduz de volta para casa, isto é, para o mais íntimo e nobre de nós mesmos.

Portanto, ame e deixe-se amar.

Photo by Jessica Hearn on Unsplash

Photo by Theo Crazzolara on Unsplash

2 comments

  1. AMOR a lição que o Mestre dos Mestres veio trazer para humanidade e que tu nos apresentas com sabedoria. Gratidão!

  2. Amar, passear pelos Sentimentos da Essência Divina, que nos leva para o Paraíso Eterno, junto ao nosso Bom Deus.

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