Acharya Tadany
Poema Matutino
Cracóvia, 9 de Maio de 2026.

Existem dores e dores,
Silenciosas, intensas, longas, repentinas,
Dores que gritam e dores que se escondem,
Dores que atravessam o corpo
E dores que lentamente habitam a alma.
Mas, mesmo nas diferenças das dores,
As pessoas se acham únicas em suas dores,
Como se o universo tivesse escolhido apenas seus ombros
Para carregar o peso da existência.
Chegando ao extremo de competir, ou discutir,
Quem sente mais dores que os outros,
Quem sofreu mais,
Quem foi mais ferido pela vida,
Como se a profundidade do sofrimento
Pudesse conceder algum tipo de identidade especial.
Existem amores e amores,
Amores serenos ou tempestuosos,
Amores que libertam e amores que aprisionam,
Amores breves como uma chuva de verão
E amores sólidos como antigas montanhas.
Mas, mesmo nas diferenças dos amores,
As pessoas se acham únicas em seus amores,
Como se ninguém jamais tivesse amado daquela forma,
Como se o próprio cupido,
Houvesse encontrado morada exclusiva em seus sentimentos.
Chegando ao extremo de competir,
Ou divulgar,
Que o seu amor é maior que os outros amores,
Mais puro, mais intenso, mais verdadeiro,
Como se o amor pudesse ser medido
Pela necessidade de ser proclamado.
Existem percepções e percepções,
Formas distintas de ver o mundo,
De interpretar o tempo e de tocar a realidade
Com os olhos da mente e os ecos da memória.
Mas no que tange às dores ou aos amores,
Os seres humanos frequentemente se acham únicos,
Isolados em suas experiências,
Como ilhas emocionais
Flutuando no oceano da existência.
E assim, com dor ou com amor,
Sem dor ou sem amor,
Na carência ou na abundância,
Na euforia ou no vazio,
O pináculo da individualidade se manifesta.
O “eu” se fortalece,
Se distingue e se afirma,
Buscando constantemente razões
Para sustentar sua separação.
E talvez esteja justamente aí
Um dos grandes paradoxos da vida:
Aquilo que todos compartilham,
A dor, o amor, a busca, a fragilidade,
É exatamente aquilo que cada um utiliza
Para sentir-se exclusivamente diferente.
E assim, talvez a sabedoria comece
Quando percebemos que nossas lágrimas
Não são apenas nossas,
Que nossos amores
Não nasceram isolados no universo,
E que existir
Significa participar silenciosamente
Da experiência humana de todos os seres.
Tanto nas dores quanto nos amores.
Acharya Tadany
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Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.
