quinta-feira , 7 maio 2026
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Não é a pessoa, é a dependência.

Acharya Tadany
Resposta à pergunta de um leitor.
Ubersee, 6 de maio de 2026.

As dependências, sejam elas por droga, álcool, poder, etc., não apenas afetam o corpo, elas silenciosamente remodelam a mente, distorcendo a percepção e enfraquecendo o discernimento. E assim, pouco a pouco, aquilo que antes era claro como o certo e o errado, o adequado e o inadequado, o polido e o agressivo, torna-se confuso, nebuloso e distante. Isto é, nesse estado, a pessoa já não responde a partir de sua lucidez, mas a partir de uma força que a domina.

Por isso, quando alguém dominado por uma dependência fere, ofende ou age de forma desmedida, é preciso olhar além das palavras e do comportamento, pois, muitas vezes, não é mais a pessoa que está falando, mas a própria dependência que agora controla o indivíduo. Ou seja, a essência permanece, mas encontra-se intensamente encoberta.

Compreender isso não é justificar o comportamento ou qualquer agressão, mas libertar-se do peso de levá-lo para o lado pessoal. É reconhecer que, por trás da distorção, existe alguém que, de certa forma, já se perdeu de si mesmo e que, talvez, precise mais de carinho, atenção ou descaso do que de julgamento.

Acharya Tadany

Photo by Jon Tyson on Unsplash

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