Acharya Tadany
Meditação Matutina
Pisa, Itália, 9 de maio de 2025.

…A mentira não é meramente um desrespeito pela verdade.
É, acima de tudo, uma recusa em aceitar a realidade em que se vive…
A mentira não é meramente um desrespeito pela verdade.
É, acima de tudo, uma recusa em aceitar a realidade em que se vive.
É o sintoma de uma alma que ainda não aprendeu a encarar o espelho do mundo. Um espelho que reflete escolhas, consequências, erros e verdades.
Mentir é negar a si mesmo. É declarar, ainda que inconscientemente, que eu não posso suportar o que sou, o que fiz ou o que vivo.
A mentira é uma forma de fuga, às vezes por covardia, às vezes por ignorância, da responsabilidade que cada pessoa carrega diante de sua própria existência.
O mentiroso tenta manipular os outros, mas, em verdade, manipula apenas a si mesmo.
Ele tece uma teia de ilusões que não protege, mas aprisiona.
Eles tentam reescrever a realidade ao seu redor, como se alterar as palavras pudesse transformar os fatos.
No entanto, o universo não se curva à narrativa pessoal do mentiroso.
A realidade, que é sempre silenciosa, impessoal e inflexível, continua a fluir. E, um dia, ela cobrará o preço da ilusão.
Todo mentiroso acredita ser esperto.
Eles pensam que podem controlar as engrenagens do mundo com sua astúcia.
Contudo, não percebem que seu engano é uma grande tolice.
É como tentar parar a órbita do planeta Terra por meio da pura negação.
A partir de seu ponto de vista egocêntrico, de seu umbigo limitado e autocentrado, pode parecer que a Terra está imóvel.
Mas basta um olhar mais elevado, mais lúcido e conectado ao todo, para ver que a Terra não apenas gira em torno de seu próprio eixo, mas também dança ao redor do Sol como parte de um sistema infinitamente maior.
Essencialmente, a verdade, por mais dolorosa que seja, nos liberta.
Enquanto a mentira, por mais reconfortante que seja, nos aprisiona.
Portanto, aceitar a realidade é o primeiro passo para a maturidade.
E abraçá-la com coragem é o sinal de uma alma que começa a despertar.
Sem engano ou falsidade, mas com verdade.
Acharya Tadany
Photo by Etienne Boulanger on Unsplash
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Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.

Estimado Acharya Tadani, sem contestar a essência da tua reflexão, sinto-me na obrigação de discutir o caráter excessivamente positivista dela. Nesse campo, o do comportamento, não existem verdades absolutas. Seu valor, positivo ou negativo ou admissível, está na relação com os fatos e com as circunstâncias. Há momentos em que a mentira se torna, para alguns,, a única alternativa de sobrevivência, própria ou da comunidade. Podemos ponderar que é preferível manter a boca fechada do que mentir. O silêncio é um escudo poderoso, mas quase sempre não preserva a vida de quem o mantém sob tortura, esse método brutal e antiquíssimo cada vez mais generalizado em nossos tempos. Quem ainda não alcançou a maturidade ideológica ou espiritual para manter o silêncio a qualquer custo ou para convencer o torturador a humanizar-se precisará certamente mentir.