Acharya Tadany
Histórias da jornada
Rishikesh, 17 de Julho de 2010.

Certa manhã, sentado às margens do rio Ganges, aos pés dos himalaias, contemplava a exuberância que somente a chuva consegue revelar. As árvores pareciam mais vivas, as folhas refletiam a luz do sol nascente como pequenos espelhos, e o rio, silencioso, seguia seu curso levando consigo folhas, flores e histórias.
Ao meu lado, um sadhu (homem santo), envolto em suas vestes alaranjadas, permanecia imóvel em oração. Seu rosto transmitia uma serenidade rara, como se o tempo tivesse perdido o significado para ele.
Enquanto observávamos o rio, um homem aproximou-se cambaleando. Seus passos eram incertos, suas roupas desarrumadas e, em seu olhar avermelhado, misturavam-se a euforia e o desafio. Parou diante do sadhu, examinou-o por alguns instantes e, rompendo o silêncio da manhã, declarou com voz arrastada:
— O mundo parece distintamente diferente para aquele que começa o dia com um trago de uísque.
O sadhu permaneceu em silêncio por alguns segundos. Não demonstrou reprovação, surpresa ou irritação. Apenas sorriu com a naturalidade de quem compreende que cada pessoa enxerga o mundo através das lentes da própria mente.
Então respondeu, com extrema delicadeza:
— Da mesma maneira, tal indivíduo também parece distintamente diferente para o mundo.
O homem permaneceu imóvel por um instante. Seu sorriso vacilou, como se aquela resposta tivesse encontrado um lugar que nenhuma bebida conseguira alcançar. Sem dizer outra palavra, voltou-se lentamente e seguiu seu caminho às margens do Ganges.
O sadhu retomou sua contemplação. O rio continuou fluindo. As aves continuaram cantando. E eu compreendi que, muitas vezes, não é o mundo que muda diante dos nossos olhos; é o estado da nossa própria consciência que colore tudo aquilo que vemos.
Acharya Tadany
Photo by martin bennie on Unsplash
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Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.
