Tadany Poeta
Pune, 21 de julho de 2026.

Ou talvez seja simplesmente o fim.
Mas mesmo o fim,
quando nasce de uma noite como aquela,
é um começo disfarçado.
Ontem,
fogos, sussurros,
paixão, ascensão.
O corpo inteiro era um verbo
conjugado no presente do desejo.
Hoje,
calmaria, silêncio,
desejos, solidão.
Os lençóis guardam o molde de dois corpos,
mas só um os aquece.
Mosaicos da vida…
ora pinturas coloridas,
ora, quem sabe,
indevida.
A memória insiste em repetir cada cena,
mas o que resta do êxtase
quando a fonte se afasta?
A alma fica suspensa
entre o que foi plenitude
e o que agora é paisagem vazia.
Os dedos ainda procuram
a curva de um ombro que não está lá.
Dizem que o amor não se despede aos poucos.
Ele se retira de uma só vez,
como maré que rouba a areia
e deixa apenas conchas frias.
Talvez o problema seja este…
amar não é possuir,
Amar também é
emprestar o próprio corpo
para que outro o habite por uma noite
e o devolva, pela manhã,
estranhamente diferente.
Mas há beleza nessa ferida.
O vazio que o amor deixou
é a prova de que ele existiu.
A solidão, afinal,
é o eco do que foi imenso.
E amanhã?
Talvez o mosaico se recomponha.
Talvez o que hoje parece indevido
se revele necessário.
Ou talvez seja simplesmente o fim.
Mas mesmo o fim,
quando nasce de uma noite como aquela,
é um começo disfarçado.
Photo by Jamie Street on Unsplash
Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.
