Por Acharya Tadany.
Publicado no Diário de Santa Maria, 27 de agosto de 2026.

…o analfabetismo do futuro não será sobre saber usar a IA. Muito pelo contrário, será sobre utilizá-la sem desenvolver a capacidade de pensar independentemente.
Durante muito tempo, imaginamos que a Inteligência Artificial seria apenas mais uma invenção destinada a facilitar a vida. Primeiro, as máquinas substituíram nossa força física. Depois, os computadores aceleraram nossos cálculos. Agora, a IA escreve, traduz, programa, pesquisa, cria imagens, analisa dados e conversa conosco.
Como resultado, uma pergunta mais profunda do que imaginávamos surge no horizonte: o que a Inteligência Artificial está revelando sobre nós?
Com isto, anseio em predizer que, talvez, a IA seja menos uma janela para o futuro das máquinas e mais um espelho de nossas atitudes.
Basta observar como a utilizamos, pois, diariamente, pedimos que IA escreva porque não queremos fazer o esforço de organizar nossas próprias ideias. Procuramos respostas antes de, objetivamente, formularmos as perguntas. Entregamos problemas à IA antes mesmo de tentar compreendê-los. Ou seja, ansiamos por velocidade, síntese e eficiência. Enquanto isto, corremos o risco de confundir ter acesso a uma resposta com realmente compreender alguma coisa.
Acredito que esse seja um dos maiores paradoxos da nova era, isto é, nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão necessário aprender a pensar.
A IA pode oferecer informações, comparar milhões de dados em segundos, encontrar padrões invisíveis aos olhos humanos, mas informação não é sinônimo de conhecimento e, conhecimento, por sua vez, não é necessariamente sabedoria.
Por exemplo, uma pessoa pode conhecer milhares de fatos e ainda não saber viver. Pode receber a melhor orientação e ainda assim tomar decisões desastrosas. Pode repetir conceitos brilhantes sem jamais refletir sobre o significado deles.Então, é aqui que surge uma diferença fundamental entre inteligência e discernimento. Quanto mais capazes forem as máquinas de produzir respostas, mais importante será nossa capacidade de avaliar essas respostas. Quanto mais informações tivermos disponíveis, maior será a necessidade de distinguir o relevante do irrelevante, o verdadeiro do falso e o essencial do superficial.
Portanto, o analfabetismo do futuro não será sobre saber usar a IA. Muito pelo contrário, será sobre utilizá-la sem desenvolver a capacidade de pensar independentemente.
Esta reflexão, em nenhum momento implica em rejeitar a tecnologia, pois isto seria tão absurdo quanto ter rejeitado os livros porque facilitavam o acesso ao conhecimento. A questão não é se devemos usar a IA, mas quem nos tornamos enquanto a utilizamos.
Por exemplo, uma calculadora não eliminou a necessidade de compreender matemática. Um GPS não deveria eliminar nossa capacidade de compreender o caminho. Da mesma forma, a IA não deveria substituir nossa capacidade de refletir, questionar, criar e decidir.
Assim sendo, creio que a grande oportunidade está na utilização da IA para a ampliação de nossas inteligências, mas como não uma desculpa para abandoná-la.
Digo isto porque, atualmente, a IA nos propõe um questionamento fundamental: o que, exatamente, significa ser inteligente?
Se inteligência for apenas calcular, memorizar, prever e combinar informações, as máquinas já são melhores. Mas, como seres humanos, podemos perguntar por que vivemos, podemos escolher nossos valores, ser responsáveis por nossas decisões, transformar desafios em aprendizados, conhecimento em sabedoria e experiência em significado.
Ou seja, acredito que esse seja o verdadeiro presente escondido dentro desta revolução da IA, isto é, ao desenvolver tecnologias que superam nossas habilidades básicas, somos obrigados a olhar para aquilo que realmente somos.
Desta maneira, a IA torna-se um espelho e, diante dele, a pergunta crucial não é até onde a IA chegará, mas sim…
Enquanto a IA avança, até onde estamos dispostos a crescer, amadurecer e evoluir como seres humanos?
Acharya Tadany

Junte-se à comunidade do Acharya Tadany para ler pensamentos, poemas, reflexões, espiritualidade e arte diretamente no seu WhatsApp, seguro e privado:
Link – https://chat.whatsapp.com/J6hVSMZhyswKlSp6rW3TYr
Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.

Sou o Alceu Facco, muito verdadeira sua exposição sobre a IA, no meu caso ainda muito reticente para não perder o meu lugar no mundo. Não consigo imaginar as gerações futuras, se as atuais estão nesta situação que vemos todos os dias. Um abraço 🤗🤗
Reflexão oportuna e necessária.
Reflexão oportuna e necessária!
Gracias Tadany pela importante reflexão. Penso que não é por acaso que estamos vendo, cada vez com mais frequência, um movimento na direção dos livros físicos, das atividades manuais, do lápiz e papel, da escritura cursiva em Escolas, do contato mais presente junto à natureza, entre outras coisas. Entendo estes movimentos não como saudosismo, mas como uma necessidade humana de reconexão com a essência, de reconectar Mente, Coração e Mãos na criação, numa tentativa de “retorno para casa”.