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Eram 4 horas da manhã

Acharya Tadany.
Reflexão Matutina.
Santa Maria, 11 de julho de 2005.

Quatro horas da manhã. Completamente desperto.

Na mente, mil pensamentos sobre o dia que viria, as responsabilidades, as incertezas, os sonhos, o mundo. Tantos assuntos girando, girando… e o sono, simplesmente, não vinha. Se continuasse assim, não viria nunca.

Levantei-me. Olhei pela janela da sala. As ruas, desertas. Nenhuma alma viva passava por aqueles lugares. Ninguém com quem eu pudesse dividir um fragmento sequer das minhas preocupações.

Fiquei ali, um instante, talvez dois.

Então, peguei todos os pensamentos, todas as preocupações como o medo de falhar, a saudade do que não vivi, a pressa de um mundo que não para e guardei-os numa sacola imaginária.

Depois, voltei para o quarto, deitei-me, o travesseiro não me acolhia, o corpo pesava e, ainda agitado, estendi a sacola no escuro. Não vi mãos, mas senti quando algo a tomou.

Então, sussurrei:

– “Cuida disso para mim, pois Você está sempre acordado.”

Afinal, Ele estaria acordado a noite inteira de qualquer maneira.

E quando senti que Ele havia agarrado a sacola…

Olhei para o lado

E, sem perceber,

Adormeci.

Como se alguém, finalmente,
tivesse fechado meus olhos por mim.

Photo by Andrew Petrischev on Unsplash

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One comment

  1. Vera Lúcia Brites Jaques

    Maravilhosa mensagem! Quantas vezes nos sentimos assim. Nos últimos dias tenho me sentido assim com o que está se passando no Brasil. Mas temos que entregar para Aquele que não dorme nunca. Obrigada!

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