Orações e mensageiros do invisível

(Orando para meus ancestrais)

Acharya Tadany
Orações vespertinas.
Pune, 29 de julho de 2026.

O corpo físico atinge seu limite e perece. Mas o amor nos corações, a força das orações e a pureza das boas intenções ultrapassam o tempo e ecoam pela eternidade.

Hoje, o jardim se fez santuário. Enquanto eu orava pela alma do meu pai o mundo físico e o sutil pareceram se entrelaçar.

De repente, um corvo cortou o ar bem diante dos meus olhos. Em um voo gracioso, desenhou um loop perfeito no céu e pousou no galho de uma árvore bem próxima, quase ao alcance de meus dedos. E ali ele permaneceu, imóvel, atento, guardião silencioso, durante todo o tempo em que as minhas preces e intenções se voltavam à alma do meu pai.

Somente quando a última oração se dissipou no ar, ele levantou voo e partiu.

Na sabedoria da mitologia hindu, o corvo é o elo ancestral, o mensageiro das profundezas que transita entre o visível e o invisível, carregando recados de um mundo ao outro. Assim sendo, foi uma visita, um carinhoso aceno de presença.

Depois, como de costume e com o coração aquecido, continuei a orar, direcionando agora a energia da minha devoção à alma da minha avó paterna. E, como uma réplica sutil do primeiro mistério, uma borboleta branca surgiu do nada. Ela dançou levemente em frente aos meus olhos e passou a esvoaçar entre as folhas, permanecendo ali enquanto durou a minha reza.

E, assim como o corvo, ela esperou o encerramento da oração para seguir seu caminho.

A borboleta, em sua delicadeza, é o símbolo universal da alma, das metamorfoses e dos renascimentos.

Então, hoje ao conectar-me com meus ancestrais através da oração, o universo respondeu com a linguagem dos símbolos.

Isto é, não recebi apenas a confirmação da presença deles, mas a força dessa conexão inextinguível, assim como uma mensagem clara de transformação, pois a vida não se apaga, ela se renova.

O corpo físico atinge seu limite e perece. Mas o amor nos corações, a força das orações e a pureza das boas intenções ultrapassam o tempo e ecoam pela eternidade.

Acharya Tadany

Photo by Marc-Olivier Jodoin on Unsplash

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2 comments

  1. SILVIA REGINA COUTO DEMETRIO

    Bom dia Tadany,
    Sinto que estou passando por dúvidas.
    Em meus pensamentos questiono, aliás sempre tive dúvidas, o quanto é verdadeira a bíblia.
    Gostaria muito de sua orientação.
    Pois a cada dia isso se torna mais forte.
    Forte abraço.
    Sílvia

    • Estimada Sílvia,

      Muito obrigado por compartilhar uma dúvida tão íntima.

      Antes de tudo, saiba que questionar não é sinal de falta de fé. Muito pelo contrário visto que, muitas vezes, é justamente o início de uma fé mais madura.

      Digo isto porque as grandes tradições espirituais da humanidade sempre tiveram espaço para a investigação sincera, ou seja, a dúvida honesta não é inimiga da verdade; ela é inimiga apenas das crenças que não conseguem se sustentar.

      Portanto, talvez a pergunta não seja apenas: “A Bíblia é verdadeira?”

      Mas sim, “O que significa dizer que algo é verdadeiro?”

      Se esperamos que cada passagem bíblica seja um relato histórico ou científico, provavelmente encontraremos dificuldades.

      Porém, se compreendermos que a Bíblia é, acima de tudo, uma obra destinada à transformação interior do ser humano, muitas de suas páginas passam a revelar uma profundidade extraordinária.

      Neste cantinho do mundo que habito, em nossa tradição do Vedānta, aprendemos que uma escritura sagrada não deve ser aceita por mera crença nem rejeitada pela dúvida. Ela deve ser estudada, refletida e assimilada, pois o objetivo não é acreditar mais, mas compreender melhor.

      Desta maneira, minha sugestão seria que você não lute contra essas dúvidas nem procure sufocá-las. Observe-as com serenidade e pergunte-se:

      “O que exatamente estou questionando?”
      É a autenticidade histórica de determinados acontecimentos?
      É a interpretação que recebi desde criança?
      Ou é a imagem de Deus que construí ao longo da vida?
      Essas são perguntas muito diferentes.

      A verdadeira espiritualidade nunca teme uma investigação sincera, porque a verdade não precisa ser protegida, ela apenas precisa ser descoberta.

      Com isto quero dizer que, se sua busca for genuína, ela poderá até modificar algumas de suas compreensões, mas dificilmente diminuirá sua reverência pelo sagrado. Muito pelo contrário, uma fé que atravessa a dúvida e renasce com a luz do conhecimento costuma tornar-se mais consciente, mais profunda e menos dependente do medo.

      Portanto, continue lendo, estudando, rezando e refletindo.

      Enquanto isto, não tenha pressa em encontrar respostas definitivas, pois algumas perguntas amadurecem dentro de nós antes que possamos compreender plenamente suas respostas.

      Que Deus ilumine sua busca e lhe conceda discernimento para distinguir entre aquilo que apenas foi ensinado e aquilo que pode ser verdadeiramente conhecido.

      Muita luz e paz sempre,

      Acharya Tadany

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