Acharya Tadany.
Pune, 24 november 2018.

Ela estava doente, mas não o sabia, ou melhor, não queria admitir seus problemas. Ou seja, no poço da negação, ela era mais uma pessoa desviando-se da realidade que se apresentava, principalmente porque esta se mostrava penosa.
Ele a escutou, a observou e, com doçura e convicção, falou a verdade e, por alguma inexplicável razão, naquele momento ela o escutou e tomou para si a responsabilidade de curar-se.
Ela, agradecida e, como todo ser grato exagera nas suas percepções sobre aquele que a ajudou, o endeusou: disse que ele era além do normal, que pertencia a uma classe especial que perambula pela terra com o objetivo de ajudar as pessoas e, no fervor de suas crenças religiosas, perguntou como podia estar sendo abençoada por tão sublime energia, pois a mediocridade desacredita a fortuna quando ela aparece.
Além disso, ela desejava manter contato e, por colocá-lo num pedestal divino, queria saber como chegar perto.
Então ele, em sua liberdade e picardia, lhe disse que, para chegar ao seu encontro novamente, ela ainda teria que passar pelo purgatório.
Naquele instante, ela soltou uma gargalhada pura, intensa e barulhenta e, naquele momento singular, todos os traumas, todas as dores, todas as aflições desapareceram e, em seu lugar, estava somente a pessoa, livre, inocente e leve.
Enquanto isso, ele, feliz porque ela havia entendido a mensagem, sorriu ao ver o sorriso dela, olhou para os olhos brilhantes dela, levantou-se e partiu.
Mesmo sem olhar para trás, percebeu que sua partida havia abalado o êxtase dela, que, paulatinamente, estava deixando de sorrir e voltando ao seu rotineiro mundo – mas agora, talvez, duvidando que aquela fosse a sua realidade, pois havia experimentado outra realidade, mais conectada à sua essência.
Photo by Olga Bast on Unsplash
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Tadany Um refúgio para a alma e um convite à consciência.
