terça-feira , 1 setembro 2026
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A Dúvida de uma imaginada Traição

Poeta Tadany
Pune, 26 de janeiro de 2016.

…e traria um novo dia, um amanhecer de desconfiadas perguntas, provavelmente sem respostas, de uma vida que não era mais só dele, mas também de seus medos e delírios.

Ele acordou sem sono, com uma incontrolável vontade de levantar, um intenso desejo de sair da cama, mas algo lhe prendia, havia ali um irresistível e aterrorizador magneto.

A desgraça tinha caído sobre sua psique de uma forma tão intensa e voraz como a lava ardente de uma explosão vulcânica. E tal desgraça tinha nome e endereço, chama-se dúvida conjugal.

Naquela noite, ela havia chegado um pouco mais tarde, a aparência estava distinta, o olhar mais brilhante, o trejeito um pouco indiferente, o beijo foi mais curto e seco, o abraço sutilmente distante e a conversa claramente monossilábica.

Ele sentiu-se um extra num filme que estava acostumado a ser protagonista e, ao perder seu papel principal, os alarmes de sobrevivência da espécie dispararam no meio da noite.

Então, no silêncio amedrontador da escuridão noturna, seus olhos esbugalhados inventavam fantasias enganosas, sua respiração curta tentava encontrar uma explicação para a situação atual, seu irrequieto coração latejava sons de traições extravagantes e suas pernas jaziam letárgicas frente ao desesperador inferno das hipóteses e ao exagerado tumulto emocional de suas questionáveis suspeitas.

Em seus devaneios, cada segundo, infecundo e imundo, era uma aterrorizante eternidade em sua surreal e noturna dor.

E, naquele turbilhão de pensamentos, às vezes a imaginária certeza de uma traição parecia um relaxante alívio em comparação aos devastadores pavores da incerteza.

Enquanto isto, ela dormia leve e descompromissada, o sono daqueles que são livres das sôfregas respirações que afligem os infiéis.

Ela respirava com a branda tranquilidade de um repouso natural. Mas ele seguia irrequieto, preso por temores e tremores que não conseguia controlar, muito menos explicar.

Logo, o sol apareceria pela janela e traria um novo dia, um amanhecer de desconfiadas perguntas, provavelmente sem respostas, de uma vida que não era mais só dele, mas também de seus medos e delírios.

Uma existência que, a partir de agora, ele não sabia se ficava ou se partia. Um dilema entre suas incoerências e cismas. Seu coração havia ficado cego e o amor parecia estar de malas prontas, pois muito embora imaginária, sua agonia possuía nome e endereço, dúvida conjugal.

Neste ínterim, ela e sua paz, em harmonia dormiam.

Poeta Tadany

Photo by Eric Ward on Unsplash

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