sexta-feira , 14 agosto 2026
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O Mago e o Futuro do Jovem

Por Acharya Tadany.
Publicado no Diário de Santa Maria, 13 de agosto de 2026.

…É claro que não controlamos tudo. Existem acontecimentos que não escolhemos, perdas que não conseguimos evitar e situações que escapam completamente à nossa vontade. Reconhecer isso é sinal de lucidez.

Mas uma coisa é aceitar aquilo que não podemos mudar; outra é desistir daquilo que ainda podemos transformar…

Ele estava sentado no meio de um parque, absorto pela beleza natural que o circundava. As árvores balançavam suavemente, os pássaros cantavam e, por alguns instantes, parecia que nada mais existia além daquele momento.

De repente, um senhor vestido de mago parou diante dele. – “Você quer saber sobre o seu futuro?”

O jovem levantou os olhos, curioso, e disse – “Sim”.

O mago permaneceu alguns segundos em silêncio, como se buscasse dentro de si uma resposta misteriosa. Então, abaixou-se e desenhou dois círculos separados no chão. Um deles era normal e o outro recebeu diversos riscos transversais.

Em seguida, tirou do bolso do seu manto um pequeno inseto, colocou-o entre os dois círculos e explicou:

– “Se o inseto entrar no círculo normal, seu futuro será inspirador, próspero e admirável. Mas, se ele for para o círculo com riscos, nuvens negras de sofrimento, dívidas e frustrações permearão a sua caminhada.”

Então, o mago soltou o inseto e, por alguns instantes, tudo parecia confirmar a previsão, pois o pequeno animal começou a rastejar em direção ao círculo normal.

Os olhos do jovem brilharam, um sorriso abriu-se em seu rosto, seu futuro parecia promissor.

Mas, quando o inseto estava chegando à borda do círculo, algo inesperado aconteceu. Ele parou, virou-se e, lentamente, começou a se afastar do círculo normal, aproximando-se daquele que, segundo o mago, representava sofrimento e frustração.

O brilho desapareceu dos olhos do jovem e o sorriso deu lugar à uma expressão de desânimo enquanto ele acompanhava, em silêncio, o pequeno animal, como se estivesse assistindo ao próprio futuro mudar diante de seus olhos.

Quando o inseto finalmente chegou à borda do círculo com riscos, o jovem não hesitou. Estendeu as mãos, pegou-o rápida e gentilmente e o colocou dentro do círculo normal.

O mago ficou indignado, – “quem você pensa que é para se intrometer no meu ritual?”

O jovem olhou para ele e respondeu tranquilamente:

– “Meu caro senhor, não posso ficar apenas assistindo ao meu destino ruir diante dos meus olhos, principalmente se posso fazer alguma coisa a respeito. Se tenho condições de agir e mudar o curso dos acontecimentos, por que deveria permanecer passivo? Afinal, o meu destino também está nas minhas mãos.”

O mago ficou em silêncio. O jovem então sorriu, levantou-se, fez um sinal de despedida e partiu.

Não sabia exatamente o que encontraria pela frente. Não possuía garantias de sucesso, prosperidade ou felicidade. Mas havia compreendido algo fundamental: não precisamos ser meros espectadores da própria existência.

Essa pequena história nos leva a uma questão importante: quanto do nosso futuro está determinado e quanto depende das nossas escolhas?

É muito fácil acreditar que somos vítimas das circunstâncias. Quando algo dá errado, podemos culpar o destino, a sorte, as pessoas ou as condições que nos cercam. Essa postura, embora confortável, pode nos transformar em espectadores da própria vida.

É claro que não controlamos tudo. Existem acontecimentos que não escolhemos, perdas que não conseguimos evitar e situações que escapam completamente à nossa vontade. Reconhecer isso é sinal de lucidez.

Mas uma coisa é aceitar aquilo que não podemos mudar; outra é desistir daquilo que ainda podemos transformar.

Não escolhemos todas as cartas que recebemos, mas podemos decidir como jogá-las. Não controlamos tudo o que acontece conosco, mas podemos escolher como responder ao que acontece.

O inseto representa as circunstâncias. O jovem representa a consciência que observa, compreende e age.

Talvez essa seja a verdadeira lição: não confundir circunstância com destino.

O futuro não é apenas aquilo que nos espera. É também aquilo que, dentro dos limites da realidade, ajudamos a construir.

Por isso, quando alguém disser que o nosso destino já está traçado, talvez devêssemos perguntar:

– E o que posso fazer a respeito?

Às vezes, a mudança que procuramos não começa com uma nova previsão sobre o futuro. Começa quando estendemos as mãos e decidimos agir.

Acharya Tadany

Photo by Daniele Franchi on Unsplash

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