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Seres Virtuosos

Acharya Tadany.
Meditação Matutina.
Pune, 22 de maio de 2015.

A virtude pode ser vista como um espelho de múltiplas faces, isto é, na dimensão humana, ela exige esforço e disciplina, sendo frequentemente vista como algo extraordinário. Contudo, num plano mais elevado de consciência, ela flui com a naturalidade do respirar, tão ordinária quanto a própria existência.

Com isto quero dizer que, assim como o nobre e virtuoso herói nesta terra pode ser um simples camponês em outro mundo, o divino de outros níveis também pode manifestar-se na sinceridade e gentileza de um gesto cotidiano.

Em outras palavras, a virtude transcende categorias, pois ela não é nem conquista pessoal nem privilégio divino, mas a linguagem universal através da qual o ser humano desperto se reconhece em todas as suas formas. Portanto, independentemente de qual seja a nossa perspectiva ou o nosso estágio de evolução, uma verdade permanece inegociável: é imprescindível manifestá-la.

Não como um fardo a carregar ou uma obrigação a cumprir, mas como a expressão mais autêntica da nossa própria natureza, pois a virtude não nos eleva acima dos outros nem nos torna especiais, ela simplesmente nos torna verdadeiros – verdadeiros conosco, verdadeiros com a vida e verdadeiros com o mistério que nos habita.

E nessa verdade, o ordinário e o divino finalmente se encontram e se reconhecem como um só.

A virtude não é o que fazemos, mas o que nos faz. E, ao fazê-la, tornamo-nos o que sempre fomos: uma centelha infinita, dançando nas infindas formas do efêmero, do diverso e do mutável.

Photo by Sebastian Kanczok on Unsplash

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